Especial
Tattoo Week 2014

No fim de semana dos dias 18, 19 e 20 de julho ocorreu no pavilhão amarelo do Expo Center Norte o Tattoo Week SP 2014. O Mundo das Tatuagens esteve lá no domingo, dia 20, e conta como foi.

​As filas na entrada, que não cessaram ao longo do dia e, mais que isso, cresceram, comprovaram o sucesso de público. Os organizadores estimavam um público diário de 15 mil pessoas, o que, convenhamos, não é para qualquer evento. Esses são número da segunda maior feira de tatuagem do mundo, perdendo apenas para uma que ocorre na França. O ingresso custava R$ 30, mas aqueles que levavam um kg de alimento, destinado à Casa de David, pagavam meia. E não foram poucos os optaram pela doação.

​Logo ao entrar já era possível perceber, além dadiscotecagem animada que variava entre reggae, rock e hip hop, uma sinfonia de maquininhas de tatuagem compondo a paisagem sonora. O evento também contemplava modificações em geral, como piercings e alargadores, mas as tatuagens tomavam a dianteira. Também não era preciso transitar muito pelos corredores para logo vislumbrar olhinhos cheios de lágrimas, em parte pela emoção de estar fazendo uma tatuagem, em parte pela dor mesmo.

​Um grande stand central distribuía preservativos e oferecia testes de HIV e hepatites B e C, tudo gratuitamente. Assim se ressaltava a importância de fazer o procedimento com profissionais adequados, já que além do evidente risco à saúde, há também a probabilidade de um resultado insatisfatório. Bem em frente a esse se localizava o estande onde Ami James, diretamente de Israel e do Miami e NY Ink, estava. E não pensem que ele só ficou por ali sendo estrela, ele botou a mão na massa e tatuou aqueles que se dispuseram a encarar uma abastada fila. Além dele, outras estrelas que causaram frisson foram Brent McCown, que utiliza um pedaço de madeira para realizar as tatuagens em seus corajosos clientes, e Victor Hugo e Gaby Peralta, o casal que, segundo o Guinness – popular livro dos recordes – é o mais modificado do mundo.

​Ao longo dos 325 estandes havia grande variedade de jóias, roupas, insumos, livros com imagens para serem tomadas como modelos de tatuagem, além é claro dos próprios tatuadores, mais de 1500 ao todo, segundo informações do próprio evento. E não foi o inverno paulistano que intimidou muitos que transitavam por ali. Não era difícil encontrar alguém sem camisa ou só de cueca, possivelmente por ter acabado de tatuar aquela parte do corpo. Havia ainda um ou outro trajando apenas sunga, para exibirem suas tatuagens em todo o corpo. Entre estes, um senhor de umas seis décadas de vida chamava a atenção com seu corpo tomado por tatuagens coloridas. Ele posava sem parar para fotos com admiradores que também não paravam de surgir. Não devia ser sem sentir certo orgulho que ele recebia o carinho de jovens que acham normal habitar o universo das tatuagens, enquanto ele sentiu literalmente na pele o preconceito, e possivelmente ainda sente, mas naquele momento ele estava sentindo o outro lado: a admiração dos mais jovens.

​Ocorreu também no domingo a decisão do “MissTattoo Week“, competição na qual 10 finalistas concorreram entre si após uma seleção que incluía votação online. É de se elogiar que os critérios para escolha das selecionadas não seguiu a risca o padrão de beleza instaurado, porém os organizadores perderam a chance de incluir entre as 10 ao menos uma negra: primeiro porque certamente havia uma bela negra que merecia figurar ali, segundo pois seria uma grande chance para dissipar o preconceito que se tem com tatuagens em pele negra e mostrar que sim, tatuagens em peles mais escuras podem alcançar bons resultados.

​O nicho das tatuagens possui várias intersecções, como com a cultura da cannabis, do veganismo, do skate, do rock, do hip hop, dos motociclistas, dos hipsters, do grafite, entre tantos outros ali representados. E apesar de tanta gente unida pela tatuagem, era sempre possível notar a relação de cada um com as escolhas feitas para si, como uma expressão de individualidade, pois por mais que possam ser imagens iguais num e noutro, cada uma diz algo àquele e daquele que a contém inscrita no próprio corpo. E certamente até 2015 ainda há muito para ser dito.

 

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