Tatuagem não é motivo para crime

Tatuagem não é motivo para crime

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O ano é 2013 em Taboão da Serra, interior de São Paulo. O homem vai conversar com a ex-mulher e vê a tatuagem que ela fez nas costas. Ele bate nela com o capacete da moto, ela cai e ele segue agredindo-a. O crime classificado como tentativa de homicídio na verdade é tentativa de feminicídio (agravante previsto em lei que o tipifica como hediondo). O homem é condenado a 9 anos de prisão em primeira instância. Recorre, e agora o Tribunal de Justiça de São Paulo confirma a condenação e a pena ao acusado.

Foi a tatuagem que o fez agredi-la? Evidente que não. Ele a agrediu porque achou que poderia fazer isso, que mesmo ela sendo sua ex teria algum tipo de autoridade e poder sobre ela e seu corpo. Na verdade não tinha direito ou autoridade sobre ela nem quando era casado, mas enfim…

A imprensa segue dizendo que o motivo do crime foi a tatuagem. Está no título do G1. Mesmo que essa fosse a alegação da defesa do acusado/réu/condenado, não é correto a imprensa difundir isso sem questionar o quanto reforça o preconceito com a tatuagem e o(a)s tatuado(a)s.

Tatuagem não é crime e nem motivo para alguém cometer um crime. Tatuagem é arte. Tatuagem é da conta de quem faz. Ninguém tem o direito de agredir outra pessoa por causa de suas tatuagens. Seria muito bom para o convívio social que as pessoas parassem de inventar desculpas para a sua violência, agressividade e falta de respeito com seus semelhantes.

Não, cadeia não resolve nada e nem faz ninguém repensar ou se arrepender de seus erros. Mas é a justiça que temos. E até surgir um sistema melhor, o mínimo que cada um pode fazer é respeitar as leis e principalmente as pessoas, seus direitos e sua liberdade de escolha. #FicaADica

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